balões de gás

de uma desmemoriada

pedras que rolam não criam limo. Rodrigo de Souza Leão

Love is hard to believe, ask any lover. Life is hard to believe, ask any scientist. God is hard to believe, ask any believer. What is your problem with hard to believe? Yann Martel, Life of Pi (via the-one-way-mirror)

(Source: quote-book)

se eu pudesse

Se eu pudesse, mudava minha vida toda; não que ela esteja ruim, mas só para ver que ela pode ser diferente.

Se eu pudesse, me desfaria de muitas coisas, da minha casa e de quase todas as roupas. Afinal, quem precisa de mais do que dois pares de sapatos, dois jeans, quatro camisetas e dois suéteres, sobretudo quando anda pensando em mudar de vida?

Se eu tivesse muitas joias, enterrava todas elas na areia da praia para que um dia alguém enfiasse a mão brincando, assim para nada, e tivesse a felicidade de encontrar um colar de brilhantes. Afinal, dá para viver sem, não dá?

Das algumas garrafas de champanhe guardadas cuidadosamente, na horizontal, daria para abrir mão, sem nenhuma possibilidade de remorso futuro; champanhe, além de engordar, não passa de um espumante metido a alguma coisa, e nem barato dá, de tão fraquinho que é. Dos vinhos, mais fácil ainda; nada melhor do que o velho e bom uísque, com o qual sempre se pode contar.

E as amizades? Aliás, as amizades, não: as relações. Ah, se tivesse coragem, compraria um novo caderno de telefones e passava só aqueles pouquíssimos nomes que realmente têm algum significado, e que são tão poucos que nem precisaria escrever. Guardaria todos de cor, não na cabeça, mas no coração, e um dia me esqueceria de todos eles.

Se eu pudesse, iria recomeçar a vida em outra cidade, talvez em outro país, para nada, só para começar tudo do zero. Para às vezes sofrer bastante, pensando que poderia ter tido mais juízo e não ter feito tantas bobagens, pois se tivesse errado menos poderia ter sido mais feliz -talvez. Mas alguém tem o poder de fazer alguém sofrer, ou a capacidade do sofrimento é um bem pessoal e intransferível?

Se alguém conseguisse ainda me fazer sofrer, seria um acontecimento a ser festejado.

Se eu pudesse -e não tivesse tantos compromissos-, seria vegetariana, passaria as noites em claro e teria muito amor pelos animais e pelas crianças. Mas como tenho horror a qualquer bicho e nenhuma paciência com criancinhas, a não ser com meus bichos e minhas crianças, vou ter que atravessar a vida levando essa pesadíssima cruz -afinal, ficou combinado que de certas coisas não se pode não gostar, e se não se gostar não se pode dizer, que vida.

Se pudesse, largaria tudo e iria embora para um lugar onde ninguém me conhecesse, onde não teria passado nem futuro; para um lugar esquisito no qual não entenderia a língua do povo nem ninguém entenderia a minha. Seríamos todos, assumidamente, estranhos -como somos no edifício onde moramos, no local de trabalho, dentro de nossa família. Ou você pensa que alguém conhece alguém porque dá beijinhos no elevador?

Se eu pudesse, quando acordasse hoje de madrugada saía descalça só com um casaco em cima da pele e ia molhar os pés na água do mar, sozinha. Depois, ia tomar um café no balcão de um botequim, como fazem os homens.

Se eu pudesse, rasgava os talões de cheques, cortava os cartões de crédito com uma tesoura, fazia uma linda fogueira com os casacos de pele e ia saber como é que vivem os que não têm, nunca tiveram e nunca vão ter nada disso. E aproveitava o embalo para cortar os fios dos telefones, jogar o celular na tela da televisão e o computador pela janela -deve ser lindo, um computador voando.

Se eu pudesse, raspava a cabeça, acendia dois cigarros ao mesmo tempo e tomava uma vodca dupla, sem gelo, num copo de geleia. E pegaria uma gilete para picar em pedacinhos a carteira de identidade, o passaporte e o CPF, sem pensar um só instante nas consequências e sem um pingo de medo do futuro.

E jogava na lata de lixo meus lençóis, meus travesseiros de pluma, meu cobertor e engolia minhas pestanas postiças, só para aprender que a vida não é só isso.

Se eu pudesse, esquecia o meu nome, o meu passado e a minha história e ia ser ninguém. Ninguém.

Se eu pudesse, não, se eu quisesse. Pois é, tem dias que a gente está assim, mas passa.

19/08/2012 - 03h30 - danuza

silence

silence

5 months ago

Assim como não se deve misturar bebidas, misturar pessoas também pode dar ressaca. martha medeiros

O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão. Clarice Lispector

O sujeito apaixonado é atravessado pela idéia de que está ou vai ficar louco. Roland Barthes (FDA, p. 186)

get lost, find yourself

get lost, find yourself

(Source: onwander)

6 months ago

the road is life

the road is life

(Source: nevver)

7 months ago

Status amoroso: em um rolinho primavera

Não estou em um relacionamento sério. Prefiro um relacionamento ligeiramente mais escrachado.

Algo assim meio Buster Keaton e seus filmes cheios de gags, corridas, quedas, fugas. Com um pouco do Chaplin das musas levemente vesgas de zolhinhos revirados.

Pensando bem, a partir da meia-noite desta sexta, na virada do falso inverno para a legítima estação das flores, meu status amoroso também muda: estarei em um rolinho primavera.

Nem tanto à austeridade do sério, nem tanto à safadeza mais clandestina dos amores líquidos.

Rolinho primavera, como a entrada da culinária chinesa.

Mais do que um cacho, um bom enrosco que admite mãos coladas no cinema, almoços dominicais demorados, beijos na boca em público e viagens para o mar.

Rolinho primavera com molho vermelho agridoce e direito a contar como foi seu dia. Se um motorista irresponsável te manchou de lama da rua o vestido colorido, fdp, o xingamos juntos.

Se teu chefe te sacaneou… colo, dengo, cafuné e alguma filosofia de consolação.

Rolinho primavera é o que há em matéria de status dentro e fora das redes sociais. Não tem o peso da seriedade ou da hipocrisia. Tampouco o carrego da infinitude. Pode ser mais longevo, mas também pode ser até que o pecado do verão nos separe.

Não se pede mais em namoro. Não está fácil para ninguém, colega. Pelo menos seguimos lindamente enrolados nesta primavera.

21/09/12 - POR XICOSA

i love to eat

i love to eat

(Source: nevver)

8 months ago

But better to be hurt by the truth than comforted with a lie. Khaled Hosseini (via kari-shma)

(via quote-book)